A Ciência e o Risco Social

11/07/2011

Boaventura de Sousa Santos

Publicado na revista Visão em 11 de Janeiro de 2001

O Estado fraco é cada vez mais científico

e a ciência incerta é cada vez mais política“.

Sempre vivemos em sociedades de risco; o que mudou ao longo dos séculos foram os tipos de risco e os modos de os prevenir ou de lhes minimizar as consequências. Durante muitos séculos a produção de riscos teve pouco ou nada a ver com a protecção contra os riscos. Nos últimos duzentos anos, à medida que se foi caminhando para “uma sociedade totalmente administrada”, a produção do risco e a protecção contra ele foram-se vinculando mais e mais uma à outra. Ou seja, as instâncias que produziram o risco foram as mesmas a que se recorreu para proteger contra o risco.

Duas dessas instâncias merecem destaque: o Estado e a ciência. Ao promover o capitalismo, o Estado produziu ou sancionou muitos dos riscos sociais (fome, desemprego, criminalidade, doença, falta de habitação) que, paulatinamente e por acção de múltiplas lutas sociais, foi chamado a prevenir ou a atenuar nas suas consequências mais corrosivas. O Estado-Providência culminou esse processo de gestão controlada de riscos sociais. Por seu lado, ao converter-se em tecnologia e à medida que a tecnologia foi penetrando em mais áreas da vida social, a ciência passou a estar na origem dos riscos da chamada “sociedade tecnológica” e foi igualmente à ciência que se foi recorrendo mais e mais para encontrar soluções de eliminação ou de contensão dos riscos produzidos. O desenvolvimento destes processos levou a uma vinculação recíproca entre o Estado e a ciência. O Estado recorreu cada vez mais à ciência para proteger contra os riscos e, no processo, a ciência politizou-se. Ao contrário do que muitos previram, desta vinculação recíprocra não resultou uma mais eficaz protecção contra os riscos. As três últimas décadas são amplo testemunho disso.

Ao promover a passagem do capitalismo nacional para o capitalismo global, o Estado aumentou a sua capacidade de produzir riscos sociais na mesma medida em que perdeu capacidade para se proteger contra eles. Por seu lado, o extraordinário avanço tecnológico veio revelar uma debilidade estrutural da ciência: o facto de que a sua capacidade para produzir novas tecnologias é imensamente superior à sua capacidade para prever as consequências sociais dessas tecnologias. Entramos, assim, num novo milénio com um Estado enfraquecido na sua capacidade de protecção e com uma ciência cada vez mais incerta a respeito das suas consequências. Para tentar disfarçar as suas incapacidades recíprocas, o Estado e a ciência procuram vincular-se mais e mais um ao outro, desculpando-se um com o outro. Assim, o Estado fraco é cada vez mais científico e a ciência incerta é cada vez mais política. As ilustrações deste fenómeno inquietante abundam: as vacas loucas, os organismos geneticamente modificados, o “impacto” ambiental, as radiações de urânio empobrecido, os riscos para a saúde pública da co-incineração de resíduos industriais perigosos, etc., etc.

Dado o muito que está em causa, nem o Estado pode ser deixado aos políticos nem a ciência pode ser deixada aos cientistas. O Estado será mais eficaz se assumir a participação activa dos cidadãos como o seu principal critério político. A ciência será mais eficaz se assumir a incerteza: se for mais aberta à pluralidade de opiniões no seu seio e menos arrogante em relação ao saber-testemunho dos cidadãos que sofrem na pele as consequências da sua imprevisão.


Gilbert Simondon, selon Pascal Chabot

23/06/2011

 

via e[i]dta


O que faz um cientista social?

22/06/2011

Diversas pessoas, entre as quais alunos e alunas de cursinhos e de ensino médio, me perguntam constantemente o que faz um cientista social, como é o curso universitário de ciências sociais e quais as oportunidades de emprego para o profissional da área. Resolvi, portanto, fazer um post elucidando algumas coisas e dando algumas dicas de como é possível conhecer essa ciências – ou melhor, essaS ciênciaS, visto que são três os campos científicos dessa área (sociologia, antropologia e ciência política).

Antes de tudo, cabe lembrar o seguinte: ninguém conhece um curso apenas lendo um texto sobre ele na internet ou em um guia de profissões. É claro que isso ajuda a formar uma primeira impressão sobre uma ciência e sobre os profissionais que a compõem. Contudo, só é possível ter uma visão melhor fundamentada conhecendo o cotidiano daquela profissão na prática. Isso porque uma profissão é como qualquer outra instituição social: formada de rotinas do dia-a-dia que passam desapercebidas pelos guias; cheia de possibilidades, perspectivas e, inclusive, conflitos. Muitas vezes existirão diferentes modos de enxergar o papel da atuação daquele profissional na sociedade. As ciências sociais são um exemplo disso. Nesse sentido, é importante conversar com pessoas formadas naquela área que atuem em funções diferentes e que tenham opiniões e trajetórias diferentes dentro daquela disciplina. Outra dica importante é procurar assistir algumas aulas do curso que você deseja realizar. Uma profissão pode ser bem interessante e instigante, mas antes de fazer parte dela, você passará quatro ou mais anos da sua vida correndo atrás de créditos, provas, disciplinas obrigatórias, optativas, estágios, etc., e muitas vezes esse cotidiano dos cursos que compõem a formação profissional não corresponde às expectativas dos alunos. Do mesmo modo, uma boa aula e um bom ambiente de formação profissional podem ser responsáveis por criar um interesse ou mesmo uma paixão pela profissão por parte dos estudantes. Sendo assim, sempre é válido conversar com algum professor ou professora do curso e pedir para assistir uma de suas aulas.

A seguir, publiquei uma breve descrição das principais características das ciências sociais, que extraí do site Brasil Profissões. No final do post encontram-se links a partir dos quais é possível baixar alguns livros e textos que podem ajudar o estudante a conhecer ainda mais profundamente as ciências, agora pela perspectiva dos próprios estudiosos do assunto.

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Cientista Social

Fonte: Brasil Profissões

“Individuo que estuda a Ciência que se ocupa dos assuntos sociais e políticos, especialmente da origem e desenvolvimento das sociedades humanas em geral e de cada uma em particular”

 

O que é ser cientista social?

Cientistas sociais são profissionais que analisam hábitos, costumes, características religiosas, relações familiares, organização institucional e econômica de diversos grupos sociais, com base em pesquisas e observações. Pesquisam fenômenos como migrações, conflitos sociais e movimentos políticos. Tais conhecimentos podem ser aplicados na solução de problemas nas áreas de educação, saúde, violência urbana, entre outros. A pesquisa científica é a base do trabalho do cientista social, este profissional pode atuar em três linhas: na Sociologia, na Antropologia e na Ciência Política. Tais áreas da ciência são diferentes, porém estão interligadas, pois estudam vários tipos de sociedades e de culturas em diversas épocas da história da humanidade.

 

Quais as características necessárias para ser cientista social?

Como é uma carreira voltada para pesquisa e estudos o Cientista social deverá ter capacidade para interpretar dados, ser objetivo, capacidade de concentração, exatidão, ser meticuloso e gostar de ler. Características desejáveis:

- capacidade de análise

- capacidade de comunicação

- capacidade de observação

- curiosidade

- espírito de investigação

- facilidade de expressão

- gosto pela pesquisa e pelos estudos

- gosto pelo debate

- habilidade para escrever

- interesse pela leitura

- interesse por temas da atualidade

- raciocínio abstrato desenvolvido

- raciocínio lógico desenvolvido

 

Qual a formação necessária para ser cientista social?

Um cientista social precisa obter o diploma de graduação no curso de ciências sociais. Muitas universidades e institutos de pesquisa exigem também diplomas de pós-graduação. Além disso, o cientista social deve procurar estar sempre atualizado, lendo jornais e revistas de interesse geral ou especializado, procurando novas obras lançadas em sua área ou freqüentando seminários e congressos.

 

Principais atividades de um cientista social

Estes profissionais podem trabalhar em diversas funções como pesquisadores, professores universitários, críticos e em assessoria a empresas e projetos de urbanização. Além de muita leitura e da redação de artigos e estudos, eles podem vir a exercer atividades como:

- realizar estudos em institutos e universidades e publicá-los em revistas especializadas;

- orientar alunos em suas teses de pós-graduação;

- escrever artigos sobre arte, cultura, política e economia para jornais e revistas;

- dar aulas em escolas de ensino médio e em faculdades de ciências sociais ou de psicologia, educação, história, comunicação social, entre outras;

- elaborar análises sociais para órgãos públicos, empresas privadas, sindicatos, partidos políticos e organizações não-governamentais;

- elaborar projetos de planejamento urbano e de desenvolvimento para uma região;

- realizar pesquisas de mercado para empresas de pesquisa e agências publicitárias;

- prestar consultoria para políticos, com base em entrevistas com eleitores

 

Áreas de atuação e especialidades

Podem especializar-se em três áreas:

- antropologia: estuda as diferentes sociedades sob o aspecto cultural e do comportamento humano: estrutura familiar, religião, língua, folclore, costumes e manifestações artísticas.

- sociologia: analisa as relações sociais entre os indivíduos. Investiga origem, desenvolvimento e funcionamento das instituições.

- ciência política: pesquisa a sociedade do ponto de vista do poder político. Trabalham com questões ligadas à opinião pública, ideologias e legislações. Estudam a origem e o funcionamento dos sistemas de governo, das instituições e dos partidos políticos.

Além disso, o cientista social pode atuar como docente, ministrando aulas de Ciências Sociais no ensino fundamental, médio e universitário.

 

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho para cientistas sociais é competitivo tanto no setor público como no privado. Nas décadas de 1960 e 1970, essa carreira era das mais procuradas nas universidades, o que já não ocorre hoje. Nos últimos anos, o setor público vem oferecendo algumas vagas aos novos profissionais geralmente com contrato temporário. Houve expansão do campo de trabalho no magistério, pois foi aprovado no Congresso Nacional um projeto de lei que torna obrigatório o aprendizado de sociologia no ensino médio. O mercado editorial é uma opção. Há expectativa de expansão de publicações – jornais e revistas – e a demanda por trabalho de cientistas sociais na área pode aumentar. Também na área de assessoria e planejamento estão crescendo as oportunidades no setor de pesquisa de opinião pública. As empresas privadas também estão começando a contratar profissionais da área para atuar nos departamentos de marketing e recursos humanos. Em épocas de eleição surgem boas chances de trabalho na área de consultoria para partidos políticos.

 

Curiosidades

Como ciência, a sociologia surgiu no século XIX e tem contribuído em todas as áreas de ciências sociais, em busca das respostas às inquietações da humanidade.

Augusto Comte, Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber são exemplos de pioneiros na sociologia.

No Brasil, a história do ensino da sociologia foi atribulada, principalmente durante a ditadura militar, com propostas de inclusão e posterior exclusão da matéria no currículo escolar.

Em 1933 foi fundado o primeiro curso de sociologia no Brasil, na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, e em 1934 foi criada a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP.

Hoje, no Brasil, são quase 40 mil profissionais, sendo 10 mil registrados no Ministério de Trabalho.

 

Onde achar mais informações?

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico – CNPq

Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES

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Os seguintes textos trazem uma visão mais aprofundada das ciências sociais e suas práticas. O primeiro texto é um livro didático do ensino médio que apresenta alguns conceitos introdutórios da disciplina. Já o segundo traz uma coletânea de textos sobre pesquisa sociológica e métodos de observação e investigação da realidade social. O terceiro texto é uma entrevista com um dos principais sociólogos da segunda metade do século XX, o francês Pierre Bourdieu, argumentando sobre o potencial crítico e questionador do conhecimento sociológico. Por fim, o último texto traz uma entrevista com o antropólogo estadounidense Clifford Geertz, discutindo os rumos da pesquisa em antropologia na atualidade, e pode ajudar os interessados a conhecer um pouco mais das discussões desse outro ramo das ciências sociais.

1) OLIVEIRA, P. S. Introdução à sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1991.

2) NUNES, E. O. A aventura sociológica: objetividade, paixão, improviso e método na pesquisa social. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1978.

3) BOURDIEU, P. Uma ciência que perturba. Entrevista de Pierre Thuillier (La Recherche) com Pierre Bourdieu. La Recherche, n. 112, 1980.

4) GEERTZ, C. A mitologia de um antropólogo. Entrevista de Victor Aiello Tsu (Folha de S. Paulo) com Clifford Geertz. Revista de Estudos da Religião, n. 3, 2001, p. 126-133.


New configurations of public research institutes: a case study in Brazil

19/06/2011

New configurations of public research institutes: a case study in Brazil

Thales Novaes de Andrade (UFSCar)
Vera Alves Cepeda (UFSCar)
Airton Moreira Jr. (UFSCar)
Lucas Rodrigo da Silva (Unicamp)
Leda Gitahy (Unicamp)

The purpose of this paper is to show how production of technology is being affected by international trends in terms of the institutional reorganization of research centers and altered funding arrangements for the development of innovation practices. New organizational formats now being introduced have redefined the roles of scientists, who had traditionally been key agents developing technology.

Globalization and internationalization of scientific work poses trends that have proudly affected the composition of social groups leading technological practice worldwide. There is now a perceived global trend for business to articulate with research laboratories and public research institutions to create non-rooted and asymmetric science and technology (GINGRAS, 2002; VESSURI, 2008).

The question now posed for peripheral countries is: how has the internationalization of scientific research impacted national institutions? How have local scientific elites responded to new parameters for funding technological research?

In this new scenario, the emergence of a new type of science leads to an accord between the research community and market interests. The present paper asks how these trends are impacting scientific and technological output from public research institutes. We have attempted to elucidate these issues through a case study of Brazil’s Technological Research Institute (Instituto de Pesquisa Tecnológico, or IPT), which is attached to Universidade de São Paulo (USP) and linked to the Secretary for Economic Development, Science and Technology of the State of São Paulo.

We shall show how innovation policies are affecting the IPT’s organizational criteria and scientific production and how specialists and researchers there see new innovation policies. Starting from a discussion of organizational logics, transformations that have taken place in Public Research Institutes over time may be observed (SALLES-FILHO, 2000).

Initially we shall discuss recent science and technology policy in Brazil and the implications for research work, then highlight historical changes that have affected Brazilian PRIs and the extent of their adherence to trends underway internationally. Finally we shall briefly discuss the case of the Technological Research Institute (local acronym IPT/USP), as an illustrative example of how local PRIs are internalizing new scientific practices.

Leia o texto na íntegra (São Paulo 2011, IPSA-ECPR Joint Conference: Whatever Happened to North-South?)


Por uma sociologia “transversalista” da ciência e da técnica

19/06/2011

Resenha de SHINN, Terry & RAGOUET, Pascal. Controvérsias sobre a ciência: por uma sociologia transversalista da atividade científica. Tradução de Pablo Rubén Mariconda e Sylvia Gemignani Garcia. São Paulo: Associação Filosófica Scientia Studia / Editora 34, 2008. 208 p.

As dinâmicas de produção científica e de inovação tecnológica passaram por profundas transformações nas últimas décadas. Desde então, novas concepções sobre a atividade científica e técnica emergiram entre os pesquisadores, chocando-se com as velhas concepções anteriormente hegemônicas nas mentes dos membros do campo científico. Mais especificamente, a partir dos anos de 1970 intelectuais e movimentos sociais passaram a questionar a neutralidade e a autonomia da atividade científica e tecnológica. Por outro lado, a partir dessas críticas, vários pesquisadores se prontificam a reafirmar a autonomia e a neutralidade da ciência, defendendo-a enquanto uma esfera diferenciada de produção de conhecimento. Ao analisar esse contexto conflituoso, o objetivo de Controvérsias sobre a ciência: por uma sociologia transversalista da atividade científica (Shinn & Ragouet, 2008) é expor as “versões acadêmicas” que a defesa da autonomia e da não-autonomia da ciência assumem na sociologia da ciência e das técnicas, além de propor “uma tentativa de superação ou, melhor, de dialetização das duas perspectivas precedentes”. [...]

Leia o texto na íntegra (Revista Brasileira de Ciência, Tecnologia e Sociedade)


Praticando sociologia visual

19/06/2011

Doing Visual Sociology in Graduate School

Karen Gregory, November 14, 2007

A few years ago, Howard Becker spoke in the sociology department at the Graduate Center. After his talk, which emphasized “doing sociology well”, I asked him how one should go about becoming a visual sociologist. He told me, in about as few words, “just do it.” As sound as that advice is for almost all graduate work, at the same time many graduate students who are interested in “just doing” visual work in the field of sociology encounter a number of obstacles that I would like to begin to address in this post. Hopefully, this will serve not only as an introduction, but will get a conversation started.

Perhaps the first issue that students encounter is an issue of disciplinary boundaries. Since no one answer exists to the question “what is sociology?” the confusion seems all the more great when one asks “wha is visual sociology?” And, this is probably the first question anyone will ask you when you mention the words. Unlike the obvious distinctions created by the words “political”, “economic”, or “Marxist”, placing the word “visual” in front of sociology seems to confuse the listener. Suddenly, the sociologist who can usually take pride in “imagining” the machinations of the social world is blinded by this simple (yet, often problematic) word. Howard Becker and many others have already tried to address the uncomfortable position that visual analysis and visual production have in the field of sociology and you can see for reference Becker’s “Visual Sociology, Documentary Photography, and Photojournalism: It’s (Almost) All a Matter of Context“, Doug Harper’s “Visual Sociology:Expanding Sociological Vision“, or John Grady’s “Becoming a Visual Sociologist” for an introduction. These are just a start of growing body of literature (in fact, these are what we might call “the classics”) and almost everyone who refers to their work as “visual sociology” will tell you that it’s a new field and that we are all contributing to its creation. Okay, sure. Nonetheless, there are a couple specific claims on the table that our work will need to address and I think those issues can be simplified into the very broad categories that underpin all sociological work: theory, methodology, and disciplinary gate-keeping.

One: A Photo is Just a Photo
The word “visual” raises for most savvy sociologists a number of interesting, contentious, and unresolved theoretical issues. Martin Jay’s Downcast Eyes is just one attempt to explain the historical and social contexts that gave rise to these academic issues, but at the end of the day most humanities are still struggling with what “the visual” entails. Studies of consciousness are still hard pressed to figure out where our eyes stop and our minds begin. You might ask “do you even need eyes to see?” Oliver Sacks, as well as several blind photographers, like Alice Wingwall, suggest that may not always be the case. Perhaps what we call vision is only one part of a dynamic body-mind process, something Mark Hansen refers to as “haptic vision”? Assuming you get past this fairly large first issue, other issues remain: What can things called “visual” do or say? What can they help us know about the world? What epistemological contributions can they make to the field of sociology?

Well, for most people who take images seriously (photographers, videographers, filmmakers, artists, art lovers, media makers, designers, advertisers, scientists, doctors, not to mention war-mongers, the police, the State, even you as you read these words on a computer screen all come to mind…), the contribution of the visual to our understanding of the world and ourselves is, for the most part, obvious. The image is information. The average sociologist probably wouldn’t disagree with you. They merely take that information for granted. The world appears or has already appeared (whither Heidegger) and the role of the sociologist is to interpret what appears within established frameworks, vocabularies, and literatures. We contribute to existing knowledge of the social world. So, whether or not the information of the image qualifies as what the academy has traditionally called “knowledge” goes right to the heart of the matter. Namely, if you work visually how can you address the epistemological problems images raise?

Two: A Photo is Never Just a Photo
Since most sociologists have at least some philosophy under their belts, as well as (whether they like it or not) some understanding of the what the postmodern turn was all about, the question of knowing is a real quagmire. Our eyes (apparently, although if Hansen and other new media theorists are right, why are we still blaming the poor orbs?) have been mucking up what we “know” since the beginning of time. They trick us into believing that the shadows on the wall are real and a very short tour of the references sociologist quickly make in their heads might go like this: Our eyes become the vectors by which our darkest and dirtiest (ir)rational desires bubble up through the Freudian topology, forcing us to look through the keyhole (where we almost always find a naked woman “to gaze” upon) and mistakenly label what we see as “he”, “she”, “it”, or (if we look in the mirror) “me”. In doing so, we reduce the world to an object that is subjected to what postmoderns found to be a relatively problematic system of language and in essence, we subject the world to the logos, or the knowledge of man (no pun intended.) The Frankfurt School saw this as laying the groundwork for complete totalitarianism and much of history bears out the aggresive relationship between capitalism’s advancement and the ability to see, label, categorize, “know”, and manipulate resources. It has been an unfortunate history. Therefore, when sociologists fear the word “visual”, whether they are actively engaged in theoretical work or not, they are often reproducing an academic culture that has existed for the last fifty years and which was heigtened as phenomenology and structuralism gave way to post-structuralism and criticism. As a result, you can probably find a great number of dissertations devoted to illustrating (although not in images) how particular social and historical arrangements enable a concept to enter the public/academic discourse. Unfortunately, the work that has been done here on vision, visuality, and the relationship between the image, information, and knowledge is still mired in a (often post-Marxist) criticism that is unsure of what to do with new technologies and the increasing prevelance of image and media production. An anxiety lingers despite the medium you choose to work in and a common response to anxiety is to shut down. Sociology has a bad case of anxiety in this regard. Although new media theorists and some sociologists such as Patricia Clough are trying to find a way forward, given the existing theoretical history, the road is still not clear. Also, bear in mind that most sociologists are still mostly interested in numbers, let alone critiquing the knowledge those numbers produce.

A Photo is a Letter?
So, images raise problems and the problems bleed from the theoretical to the methodological (and by extension, ethical) very quickly. In this regard, almost all of us probably agree. However, what these problems (and the all-too-often historical cases) suggest we should do with images and how we can intellegently live with them, is an issue that remains contentious and unresolved. This is only in part a methodological issue for sociologists. If we travel two doors down to anthropology or pyschology will find methods books and training manuals, as well as a long history of visual work. If we scratch the surface of this issue, we realize that almost all academic methodologies, even the current “visual methods” are still word-bound practices. As academics, we write. We write about what our work means and we write about how we do our work. When we work with images we seem to get into the business of translation, caught between two worlds. We try to develop “visual vocabularies”, but we are still not sure how an image can really live on its own. We might incorporate images into our teaching or illustrate an article or books with a couple photographs, but for the most part we are word-bound conversationalists who manage to pin words down on pages and, for the most part, we like it that way. It’s very hard to put a photograph in your bibliography.

So, why waste time looking at images or, worse, making them? Especially at a time when you are supposed to be learning the ropes of the discipline, filling up your bibliographies with more references, your CV with more publications, and generally proving your worth (there will have to be another post on political economy of graduate school)? In academics, the person with the most books wins. The person with the most photographs is still wishing they had a place to hang their photos. I don’t think there is one answer to the “why do it” question. Most people you talk to who call themselves “visual sociologists” just seem interested in images, they have something like a passion, and they may not be sure why. Good sociologists among us will let them know that their personal interest is social and that it is no coincidence that visual sociology is occuring at the same time as the “democratization” of technology is occuring and that in the same way the worlds of art, journalism, music, television, politics, and science are being forced to adapt (open themselves and then quickly assimilate, categorize, and make productive) to the ubiquitity of technologies and their creative outputs, sociology will also eventually need to re-set it boundaries. The question that remains for me is, not why (I want to) or how (there are many how-to books), but where to position my work so that it is taken seriously? In this regard, I do think we make the road by walking.


A política científica e tecnológica brasileira: uma análise crítica sob a ótica do desenvolvimento sustentável

11/04/2010

Resenha de BAUMGARTEN, Maíra. Conhecimento e Sustentabilidade: políticas de ciência, tecnologia e inovação no Brasil contemporâneo. Porto Alegre: UFRGS / Sulina, 2008, 264 p.

Os arranjos político-institucionais que sustentam a produção científica e tecnológica sofreram transformações importantes em todo o mundo nas últimas décadas. Boa parte dessas alterações está relacionada aos novos padrões de relacionamento entre Estados Nacionais e atividade científica que têm se consolidado nos últimos anos. Nesse contexto de transformações, impõe-se o seguinte questionamento: quais os reais efeitos dos novos arranjos político-institucionais sobre a dinâmica de produção de conhecimento científico e técnico? Com essa questão em mente, a socióloga Maíra Baumgarten, da UFRGS, aponta as tendências e os dilemas da política científica e tecnológica brasileira em “Conhecimento e Sustentabilidade: políticas de ciência, tecnologia e inovação no Brasil contemporâneo” (Baumgarten, 2008). A obra em questão faz parte da Série Cenários do Conhecimento, publicada pela Editora da UFRGS e pela Sulina, e sintetiza boa parte das idéias da autora sobre esses temas. [...]

Leia o texto na íntegra (revista Teoria & Pesquisa)


Paper: Reflexos dos novos mecanismos de avaliação da ciência e da tecnologia nas práticas de pesquisa da Embrapa

05/11/2009

Comunicação realizada no 33° Encontro Anual da ANPOCS. Expõe os resultados finais de minha pesquisa de iniciação científica, já dialogando com os resultados parciais da revisão de literatura realizada atualmente no meu mestrado.

MOREIRA JR., Airton. (2009), Reflexos dos novos mecanismos de avaliação da ciência e da tecnologia nas práticas de pesquisa da Embrapa. Trabalho apresentado no 33° Encontro Anual da ANPOCS, Caxambu, 2009 (mimeo).

Resumo

Os novos mecanismos pelos quais se avaliam as pesquisas científicas e tecnológicas desempenham papéis cruciais na atualidade. Mais que instrumentos gerenciais, as ferramentas de avaliação fornecem legitimidade para práticas e concepções dominantes da atividade científica, impondo uma referência importante para o cotidiano de pesquisa. O objetivo deste trabalho é discutir os efeitos dos novos mecanismos de avaliação da ciência e da tecnologia sobre a atividade científica, a partir de um estudo de caso na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Diversos  pesquisadores foram entrevistados, o que possibilitou uma aproximação com as implicações da adoção desses mecanismos. Nos discursos desses agentes transparecem algumas tendências e dilemas que permitem compreender melhor a dinâmica de produção científico-tecnológica contemporânea.

Ler o texto na íntegra.


Seminário Temático “Conhecimento e Coletivos Humanos (e Não-Humanos)”

05/11/2009

conhecimento e coletivos humanos e não-humanos

Ciência e tecnologia no mundo contemporâneo: concentração conhecimento e consequências sócio-ambientais (15/09/2009, 19h, anfi. b., UNESP / Campus Araraquara)

Thales Novaes de Andrade

Airton Moreira Jr.

Samir Souza

É possível perceber a consolidação de elites científicas e tecnológicas cada vez mais internacionalizadas no mundo contemporâneo. Empresas, centros de pesquisa e agências de fomento científico estão adquirindo articulação cada vez mais abrangente, o que acarreta um compartilhamento de práticas e mecanismos de avaliação de programas científicos e tecnológicos. Essa padronização da administração científica é um tema que vem interessando continuamente os estudiosos da área de ciência e tecnologia. Na área agrícola um dos efeitos é a padronização tecnológica, que leva ao problema da intenisficação agrícola, acarretando o reducionismo do saber local de comunidades tradicionais e de agricultores, gerando danos ambientais e perdas em termos de conhecimento e práticas culturais.


Artigo: Aperfeiçoamento Gerencial e Inovação Tecnológica

27/08/2009

ANDRADE, Thales Novaes & MOREIRA JR., Airton. (2009), Aperfeiçoamento gerencial e inovação tecnológica. Sociologias, UFRGS, v. 11, n. 22, p. 198-230.

Resumo

O presente texto pretende discutir a condição dos técnicos e pesquisadres de instituições de  pesquisa frente às novas formas de gerenciamento das práticas de inovação. A literatura internacional aponta para uma dissociação crescente entre políticas científicas, tecnológicas e de inovação, o que repercute diretamente no desenvolvimento de criatividade tecnológica. Há a percepção de um conflito velado entre a gestão de práticas inovativas e o conteúdo da experimentação técnica. O texto pretende apresentar alguns resultados de uma pesquisa sobre práticas inovativas da Embrapa, articulando o estabelecimento de novas metas gerenciai e as transformações da inovação.

Leia o texto na íntegra (SciELO).


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