“Quem não reagiu está vivo” [via CartaCapital]

15/06/2013

por Matheus Pichonelli

Daqui a alguns anos, quando a história dos confrontos entre a população e a Polícia Militar de São Paulo for contada, poucos vão dizer que “tudo começou” com uma reação (proporcional ou não) ao reajuste das tarifas de ônibus na maior cidade do País. Da mesma forma como a Primavera Árabe não é lembrada hoje como um movimento de comerciantes em solidariedade a Tarek bin Tayeb Bouazizi, o vendedor de verduras que, cansado de ser subornado e agredido por fiscais de impostos do governo, se imolou em dezembro de 2010 e deu início à revolta que derrubou o ditador da Tunísia e se espalhou pelo Egito, Líbia e Síria, os protestos em São Paulo não podem, não devem nem serão reduzidos a um conflito provocado por “baderneiros que aviltaram o Estado democrático de Direito e causaram transtorno ao trânsito da metrópole”. Isso apesar dos esforços de editorialistas, apresentadores de tevê e usuários de redes sociais (não necessariamente de transporte público) para resumir o conflito como um episódio raso passível, como quase tudo, de ser narrado em 140 caracteres.

 

A redução, típica de uma cultura que nomeia vilões e mocinhos até em jogos de futebol, escancarou ignorâncias ancestrais que agride olhos, bocas, narinas e orelhas mais violentamente do que as bombas de gás lacrimogêneo espalhadas pela capital. O festival de bobagens, reduções e elogios à truculência produzidas do episódio é só a vitrine de um período estranho.

 

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A VIOLÊNCIA NÃO ESPERA!

10/06/2013

 Pela reabertura imediata da Casa Abrigo de São Carlos e garantia dos serviços de apoio às mulheres!

 

A Frente Feminista de São Carlos, juntamente com outros grupos, e instituições da cidade, volta às ruas para expressar seu assombro e repúdio ao fechamento da Casa Abrigo de São Carlos. A notícia que nos chega é de que desde o dia 7 de maio a Casa Abrigo de São Carlos está fechada e não há até agora indícios de quando ou como será reaberta. Assim estamos nos manifestando pela necessidade da sua reabertura imediata, bem como a garantia dos serviços de apoio às mulheres no combate à violência.

 

A Casa Abrigo e o Centro de Referência da Mulher

 

A Casa Abrigo é um serviço de apoio às mulheres em situações de violência doméstica, de caráter sigiloso e provisório, que acolhe a mulher e seus filhos menores em situação de risco de vida iminente, pelo período necessário à sua proteção e integridade física.

Em nossa cidade, a Casa Abrigo “Gravelina Terezinha Leme” foi inaugurada no ano de 2001, sendo São Carlos (SP) a primeira cidade do interior do Brasil a implantar este serviço de apoio, o que representou importante conquista para garantir direito das mulheres no combate à violência. Esta medida de proteção à mulher é garantida nacionalmente pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Há ainda na cidade, uma rede de serviços de apoio às mulheres em situações de violência doméstica, coordenados pela Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social, da qual a Casa Abrigo e o Centro de Referência da Mulher (CRM) fazem parte.

Esse último foi inaugurado em 2007, e tem como principal objetivo promover e assegurar os direitos das mulheres por meio de orientação jurídica, atendimento social e terapêutico.  A ausência de qualquer uma dessas duas instituições faz com que as mulheres de São Carlos fiquem desprotegidas em casos de ameaça e/ou concretização de violência, tanto física quanto simbólica.

 

Quem foi Gravelina Terezinha Lemes

 

Gravelina Terezinha Lemes foi uma mulher marcada por uma história de privação dos direitos humanos e sociais, inserida em uma relação conjugal permeada por extrema violência e desigualdade entre os sexos. Vivenciou duas uniões estáveis, na segunda relação, Gravelina veio para o município de São Carlos, residindo no bairro Antenor Garcia, dando a luz a quatro crianças, sendo dois deles um casal de gêmeos.

A convivência com o marido segundo relatos foi marcada pela opressão, renúncias, dores físicas e emocionais. Frente às ameaças que sofria, em inúmeras oportunidades a mulher procurou ajuda aos órgãos competentes, porém, em vão. Sua morte foi anunciada, visto que o agressor afirmou, por diversas vezes aos agentes de proteção, que atentaria contra a vida de Gravelina. Assim o fez na manhã do dia 11 de março de 1997, a atacando com golpes de marreta. O que chocou profundamente a opinião pública foi o fato de que junto ao corpo inerte de Gravelina estava sua filha caçula, com um ano e meio de idade, que horas após o crime ainda sugava o seio da mãe morta.

 

A violência contra mulher em São Carlos.

 

Cerca de 40% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência física, sexual ou psicológica, e na cidade de São Carlos, o último levantamento realizado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em 2013 demonstra que a situação das mulheres em risco de violência é muito grave:

 

- A cada 8 horas, uma mulher é agredida em São Carlos.

 

- De janeiro a abril deste ano, 390 casos de denúncia de violência contra a mulher foram registrados em São Carlos.

 

Pela reabertura da casa Abrigo!

 

Como já informado, a Casa Abrigo “Gravelina Terezinha Leme” foi fechada pela Prefeitura de São Carlos, por tempo indeterminado e sem garantia de sua reabertura. Após seu fechamento, muitas mulheres sofreram violência, e não puderam recorrer a um local seguro onde pudessem se abrigar com seus filhos.

A Casa Abrigo tem a função de proteger estas mulheres que, sem ela, estão sujeitas a agressões que vão do xingamento à humilhação, do espancamento ao estupro. Muitas vezes à morte. Até o presente momento, por questões de segurança, não foram divulgadas informações sobre o paradeiro dessas mulheres e crianças, porém, tão pouco se sabe se suas atuais condições de moradia, alimentação e outros serviços básicos, previstos em Lei Federal, estão sendo cumpridos.

O fechamento da Casa Abrigo representa enorme retrocesso de um direito já conquistado pelas mulheres da cidade de São Carlos e demonstra a falta de prioridade por parte do governo municipal em relação às políticas públicas.

São Carlos abandonou suas mulheres. Além de serem vítimas de violência, não encontram respaldo do Poder Público.

A argumentação do Sr. Prefeito e da Sra. Secretária Municipal é de que a casa utilizada anteriormente como Casa Abrigo, estava em situação precária e que é necessária a mudança de endereço a cada dois anos por questão de segurança. Pois então o que se passou – o fechamento da Casa Abrigo – foi, no mínimo, falta de planejamento.

É sempre bom lembrar: A violência não espera. Ninguém deixa de agredir uma mulher porque a Casa Abrigo está fechada. A cada 8 horas, uma mulher em São Carlos é vítima de agressão. Onde estão elas? Estão recebendo tratamento adequado? Sem prejudicar o sigilo imposto para a situação, bem ao contrário, não temos resposta para estas questões.

O serviço de atendimento às mulheres em situação de risco estava garantindo na cidade há mais de 10 anos! Agora não está mais.

Desta forma, nós, da Frente Feminista de São Carlos, e das outras entidades que assinam este documento exigimos:

 

- Uma posição por parte da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social, no sentido da reabertura imediata da Casa Abrigo “Gravelina Terezinha Leme”!

 

- A garantia da continuidade e fortalecimento do Centro de Referência da Mulher e outros serviços de apoio e proteção à mulher na cidade!

 

 

Estaremos nas ruas até que estas medidas sejam atendidas.

A VIOLÊNCIA NÃO ESPERA!

Pelo fim da violência contra as mulheres!

Somos tod@s Gravelina!

(Fontes: Perseu Abramo, 2010; Levantamento da Delegacia de Defesa da Mulher em 2013)

 

Assinam até a presente data:

Frente Feminista de São Carlos

APROFFESP – Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos dos
Estado de São Paulo
CAASO – Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira
Centro Acadêmico de Economia – UFSCar
Centro Acadêmico da Filosofia – UFSCar
Centro Acadêmico de Linguística – UFSCar
COMUHNA – Coletivo de Mulheres e Homens na lutas contra a opressão
Coletivo de Mulheres do CAASO e da Federal
Comissão de Moradia do campus de São Carlos da UFSCar
Consulta Popular
Corrente O Trabalho do PT
Diretório Acadêmico da UFSCar – Sorocaba
DCE-Livre da USP “Alexandre Vannuchi Leme”
DCE-Livre da UFSCar
Diretório Municipal do PSOL São Carlos
ENEBIO – Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia
Juntas Coletivo
Juventude Revolução
Levante Popular da Juventude
Promotoras Legais Populares
Rede Emancipa de Cursinhos Populares
Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental – USP
Teia – Casa de Criação


Laymert Garcia dos Santos: educação desculturalizada

02/06/2013

“Assim, a educação desculturalizada parece desembocar numa cultura sem educação que não pode processar os conflitos e ajudar-nos a esboçarmos alternativas. Mas, pensando bem, ambas talvez não cumpram um papel relevante nem mesmo para preparar os filhos das elites para o mercado. Recentemente um educador, fino observador de nossas classes dirigentes, assinalou que só agora os pais de nossos universitários começam a desconfiar que o futuro de seus filhos pode não ser igual ao deles.

É claro que nesse panorama sombrio existem brechas, resistências, contra-dições, conflitos e busca de alternativas, que só caberia explorar num segundo momento, depois de expor a tendência dominante. Que, aliás, como é preciso deixar bem claro, não é apanágio exclusivo do Brasil. No ano passado, num seminário internacional sobre a diversidade da ciência na Unicamp, o brilhante físico russo Yuri Melnikhov, que trabalha com pesquisa de ponta em Bruxelas e escreveu um livro com o Prêmio Nobel Ilya Prigogine, escandalizou seus pares brasileiros quando demostrou porque a ciência básica está sendo ameaçada pela aliança entre a tecnociência e o capital global e sugeriu que os grandes países do Terceiro Mundo, como Brasil, Índia e China investissem maciçamente nessa área, em vez de tentarem correr atrás da inovação tecnológica do Primeiro  Mundo. Seu propósito não era apenas o de indicar uma saída potencial para esses países; mas também, e talvez, principalmente, o de salvar a ciência.”

Texto completo: http://www.ifch.unicamp.br/cteme/txt/educacao.pdf


A Marcha das Vadias é desnecessária? Altomani prova que não!

29/05/2013

2013-05-25 11.01.55

No último sábado, dia 25 de maio, realizamos a segunda edição da Marcha das Vadias em São Carlos, assim como em outras cidades. Neste ano, como no anterior, o centro de São Carlos parou para acompanhar um ato riquíssimo em termos de conteúdo, organização e sensibilização das pessoas pela causa. Muitos concordam, por consenso, que o ato é importante e que a violência contra a mulher precisa acabar. Mas será mesmo que essa concordância é geral, que estamos em situação de acreditar que a cidade e o poder público estão de fato cada vez mais sensíveis ao tema e preocupados em combatê-lo? A mais recente atitude do prefeito Altomani comprova que não.

Primeiro, sobre a Marcha e seus objetivos. Ela surgiu após o comentário de um policial canadense acerca de um caso de violência sexual. Para ele, a primeira coisa a se fazer para evitar um estupro é “não se vestir como vadia”. Mais uma vez, uma fala – no caso, uma fala institucional, em nome do poder repressor do Estado – que responsabiliza a vítima pela violência sofrida, tornando-a cúmplice por não ter escolhido o caminho natural: ter se privado de sua liberdade para não incitar o “instinto” masculino.

A Marcha das Vadias tem como objetivo negar a tese de que mulheres não podem usufruir de sua liberdade – de comportamento, de vestimenta, de práticas afetivas e sexuais, de fala, de circulação, etc. – e combater os discursos que legitimam as mais variadas formas de violência contra elas.

Mas a Marcha ainda é necessária? Comparando com a situação da mulher o século XX, as mulheres contemporâneas parecem mais livres e independentes em várias esferas da vida, seja na profissional, na familiar, na educacional, na política, entre outras. Para alguns, não se trata de combater a opressão, mas de se vitimizar – enquanto mulher, enquanto pobre, enquanto negro, enquanto indígena – para conquistar direitos (esses mesmos “alguns” diriam “privilégios”).

A Marcha das Vadias é necessária, sim, não apenas pelo combate ao discurso machista diante do estupro, mas também porque a maior liberdade feminina conquistada bem recentemente ainda é muito instável e relativa. Na esfera profissional, as mulheres ainda ganham menos que os homens, são preteridas a estes por engravidarem e sofrem abusos, maus tratos, assédios e diferenças de tratamento. Na esfera familiar, muitas ainda sofrem violência doméstica e ainda hoje são assujeitadas e se sujeitam a diferentes formas de “divisão do trabalho doméstico”. Na educacional, possuem dificuldades para se inserir na universidade por falta de bolsas específicas, como auxílio para estudantes mães e moradia, além de se inserirem, em alguns casos, em espaços descaradamente machistas. Na política, as mulheres ainda são minoria, e quanto aos direitos, ainda que a lei se proponha a tratar todos os indivíduos como iguais, isso não garante que as mulheres sempre tenham seus direitos, sua segurança e seu bem-estar respeitados e defendidos de maneira eficiente.

Quem considera que os movimentos feministas, negros, indígenas, de trabalhadores, de sem teto, sem terra, e outros movimentos sociais estão em busca de privilégios ou não sabe o que essa palavra significa, ou vive em um outro mundo bem distante deste planeta – gosto de pensar que a palavra “alienado” lembra, em primeiro lugar, “aliens”, justamente estas pessoas que parecem estar à anos-luz de enxergar e compreender as relações concretas e objetivas da nossa realidade.

É porque a educação, a política, a lei, a família, o Estado, o mercado de trabalho privilegiam historicamente os homens que precisamos pensar em ações afirmativas e legislações específicas que corrijam tal situação. Quem quiser mais informações sobre o tema “privilégios sociais” pode refletir sobre este texto que traduzi (bem porcamente) já há algum tempo.

Contudo, poderíamos especificar a pergunta anterior: a Marcha das Vadias em São Carlos é necessária? Em que pé anda o município quanto ao combate e à prevenção das várias formas de violência contra a mulher?

Na noite de ontem, J.C.S.J., de 23 anos, agrediu sua ex-namorada com socos e golpes de faca em um matagal próximo à Escola Deriggi, no bairro Cidade Aracy. Cortou três de seus dedos. O motivo: ciúme. A vítima, de apenas 17 anos, já havia procurado a polícia e possuía uma medida protetiva que impedia J.C.S.J. de se aproximar 200 metros dela. Inútil, pois o jovem se viu no direito de agredir sua ex mesmo assim.

Aqueles mesmos “alguns” ou os “aliens” que citei acima poderiam conjecturar sobre muita coisa. Seria ela que teria traído seu namorado? Ela não teria agredido ele de alguma forma antes dele apenas revidar? Em suma, antes de julgar o cara, não deveríamos nos perguntar se ela não é uma dessas “vadias”? E outra coisa, mulheres também não agridem seus namorados e ex-namorados?

Acredito que tais perguntais não sejam apenas reflexo de uma mente alienada, mas também desonesta, que sequer percebe que mesmo se eles ainda namorassem ninguém pode socar, arrastar pra um matagal e esfaquear um outro alguém, independente da justificativa. Qualquer pessoa honesta, além disso, também sabe que os casos de violência contra as mulheres superam em muito numericamente os casos opostos. E, justamente como a Marcha das Vadias quer chamar a atenção, é porque tal tipo de pergunta ainda é levado a sério por muitos que ela, Marcha, se faz necessária. Dito de outro modo, a violência contra a mulher ainda é amenizada pelas instituições sociais e, assim, naturalizada e banalizada.

Talvez, ao analisar o ocorrido aqui em São Carlos ontem, o policial pudesse ter dito algo do tipo “ela que procura, depois a vagabunda ainda volta pro namorado”. Pois bem, aquele policial canadense não está sozinho. Essa frase que acabei de citar teria sido proferida por uma pessoa extremamente importante na Prefeitura Municipal de São Carlos. Não sobre essa notícia em particular, mas sobre outro assunto relacionado: a Casa Abrigo de São Carlos.

Muitos não conhecem a Casa Abrigo da cidade, justamente porque sua atuação é sigilosa. Foi a primeira iniciativa do tipo em uma cidade do interior do Brasil, e recebeu o nome de “Gravelina Terezinha Lemes”. Ela atende – ou atendia – as mulheres vítimas de violência na cidade ou que sofram perseguição, fornecendo apoio psicológico e até estrutural para as vítimas não sofrerem mais nenhum abuso, terem apoio para denunciar e criminalizar o agressor e conseguirem reestruturar suas vidas.

Ontem, a Casa Abrigo Gravelina Terezinha Lemes foi fechada, por tempo indeterminado. [Eu escrevi anteriormente que o fechamento foi no dia 7 de abril, mas fui corrigido nos comentários pela Roberta, obrigado!]. As mulheres que precisam de amparo, e a própria jovem de 17 anos agredida ontem na cidade Aracy é uma dessas, agora deveria, segundo a Secretaria de Cidadania e Assistência Social, procurar ajuda há alguns quilômetros de distância, em cidades como Araraquara ou Ribeirão Preto. A justificativa, ainda segundo a Secretaria, é que a prefeitura está a “esperar editais do governo federal” que atuem sobre essa esfera para conseguir mais dinheiro e instrumentalizar melhor o abrigo.

Contudo, é muito difícil que isso venha a acontecer. Não porque a história de “esperar editais do governo” seja absurda, não porque a gestão Altomani já demonstrou que políticas públicas não sejam seu forte, mas principalmente pois, como afirmado, uma das principais responsáveis pelo fechamento e pela gestão do caso é a mesma pessoa que teria falado, literalmente, que “a casa não serve pra nada, depois a vagabunda volta pro marido”.

A mesma prefeitura que fechou a Casa Abrigo cogita desmontar ainda mais o atendimento às mulheres da cidade, pois o Centro de Referência da Mulher (CRM), criado em 2008 com o apoio do governo federal, pode também ser fechado, sendo transformado em CREAS pela prefeitura. Sem ser CRM, sendo apenas CREAS, a prefeitura não apenas elimina “resquícios de programas petistas” da prefeitura – como já fez na cultura com os Pontos de Cultura – de maneira esdrúxula e irresponsável, mas também destrói o caráter específico do atendimento à mulher, necessário à eficiência desse serviço.

O machismo e o discurso misógino não são uma criação fabulosa feminista, são uma marca objetiva e facilmente identificável nas instituições sociais para quem tem o mínimo de vontade e honestidade em enxergá-las.

Só neste ano, São Carlos viu o machismo institucionalizado ocorrer com a USP se negando a punir mais incisivamente os responsáveis pelo trote machista no espaço da universidade, a prefeitura de Altomani, no dia 8 de março, o dia internacional da mulher, se limitando a distribuir flores e sequer citando nenhum tipo de preocupação em melhorar as condições de atendimento das mulheres e, agora, com o fechamento da Casa Abrigo e a perda do CRM.

Dito de maneira nua e crua, para Altomani e seus aliados, quem luta por cultura é maconheiro vadiando em praça pública, mulher que apanha também é vagabunda e por aí vai.

O que o governo municipal não percebe é que, com suas atitudes impensadas, está ajudando a promover a união de muitos vadios, vadias, vagabundos e vagabundas, insatisfeitos e insatisfeitas com os “cidadãos de bem” que estão no poder. Cabe a nós, vadios e vadias, sabermos organizar não apenas a Marcha das Vadias, o Cultura na Pauta, a Greve da Medicina, os protestos contra a Athenas Paulista, mas uma grande unificação da nossa vadiagem e vagabundagem contra os desmandos autoritários dessa prefeitura que não nos representa.


O poder das relações comunitárias

19/05/2013

Recentemente, assistimos e debatemos o filme “O Poder da Comunidade” no espaço Cine Veracidade. Contamos com a presença de militantes e até um ex-combatente da guerrilha na Nicarágua, profundo conhecedor de Cuba e da realidade da América Central.

Compartilho aqui o documentário completo. Ele propõe que pensemos soluções para crises econômicas a longo-prazo nas interações locais, no conhecimento tradicional, na sustentabilidade e nas relações pessoais. Se Cuba se mantém em pé apesar dos embargos, isso ocorre menos pela abertura ao capitalismo internacional e mais por uma tradição comunitária e solidária que não permite o empobrecimento de muitos para o enriquecimento de alguns.

Quem assistir ao vídeo poderá estranhar a defesa desse estilo de vida carente de recursos materiais comparáveis aos nossos. Proponho que reflita: até que ponto a vida moderna me permite ser plenamente feliz a ponto de impor que meu estilo de vida seja o único (ou melhor) caminho para a felicidade?


E se os papéis de gênero da publicidade fossem invertidos?

12/05/2013

This culture jam is a school project that was created for a Women and Gender Studies class at the University of Saskatchewan by Sarah Zelinski, Kayla Hatzel and Dylan Lambi-Raine.

We wanted to show how ridiculous media portrays gender roles and stereotypes in advertising through presenting gender roll reversals.

References to the statistics:
Dines & Mumez – Gender, Race and Class in Media: A Text Reader
Levin & Kilbourne – So Sexy So Soon


Lista de exercícios – Filosofia na Grécia Antiga

14/04/2013

Filosofia – Exercícios sobre Filósofos da Grécia Antiga


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